Judas Iscariotes

Judas Iscariotes (em hebraico: יהודה איש־קריות; transl.: Yehudhah ish Qeryoth; em grego bíblico: Iouda Iskariôth ou Iouda Iskariotes) foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo, que, de acordo com os evangelhos canônicos, veio a ser o traidor que entregou Jesus aos seus captores por trinta moedas de prata e, entrando em desespero, enforcou-se e condenou-se ao inferno segundo a tradição católica. Judas, em grego Ioudas, uma helenização do nome hebraico Judá (יהודה, Yehûdâh, palavra que significa "abençoado" ou "louvado"), sendo, por sinal, o nome de apóstolo que mais vezes aparece nos Evangelhos (vinte vezes) depois do de Simão Pedro.

São várias as explicações etimológicas que, ao longo dos tempos, foram surgindo para o nome "Iscariotes". Uma delas tem uma conotação política, ligando-o ao grupo dos sicários, uma ramificação do grupo dos zelotes que perpetrava violentos ataques – geralmente com punhais, e daí o seu nome latino de sicários (sicarii) – contra as forças romanas na Palestina. Por isso, se argumenta que Judas Iscariotes, alegadamente, teria sido um membro deste grupo e que o seu nome seria a transliteração de homem do punhal, em hebraico ish sicari. Outros derivam o seu nome do aramaico saqar, palavra que significava alguém "mentiroso", que é "falso".

A traição

Judas entregou Jesus por trinta moedas de prata, o preço de um escravo segundo Êxodo 21:32. De acordo com o autor do Evangelho de Mateus, os principais sacerdotes decidiram não colocar essas moedas no tesouro do Templo de Jerusalém, mas, em vez disso compraram um terreno no exterior da cidade para sepultar defuntos, conhecido ainda hoje como "Campo de Sangue". Segundo Zacarias, profeta do Antigo Testamento, a vida e o ministério do prometido Messias (ou Cristo) seria avaliado em 30 moedas de prata (Zacarias 11:12-13). Isto significava que, segundo a leitura dos acontecimentos feita pelo evangelista Mateus, os líderes religiosos judaicos foram induzidos a avaliar a vida e ministério de Jesus de Nazaré como dotados de bem pouco valor.
A motivação da sua ação é justificada ou explicada, nos Evangelhos, de diferentes modos. Assim, nos Evangelhos mais antigos, de Mateus e de Marcos, tal deveu-se à sua avareza (Mateus 26:14-16Marcos 14:10-11). Já nos Evangelhos de Lucas e de João o seu procedimento é devido à influência direta de Satanás - ο σατανας - (Lucas 22:3João 13:2-27) sobre as suas ações.

A morte


O Suicídio de Judas
A morte de Judas está relatada em Atos 1:18-19. Segundo o relato, ele «precipitou-se de cabeça para baixo, arrebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram» (Atos 1:18) num local chamado "Campo de Sangue". Segundo Mateus 27, ele se enforcou depois de tentar devolver o dinheiro aos sacerdotes.
Os autores do Novo Testamento, relendo à luz da sua fé as escrituras do Antigo Testamento, procuraram, de algum modo, mostrar que a morte de Judas fora análoga à que as Escrituras apresentavam para o "desesperado" («Vendo Aitofel que se não tinha seguido o seu conselho, albardou o jumento, e levantou-se, e foi para sua casa [...], se enforcou e morreu» (II Samuel 17:23)) e para o "ímpio" (no deuterocanônico Sabedoria 4:19: «Em breve os ímpios tornar-se-ão cadáver sem honra, objeto de opróbrio para sempre entre os mortos: o Senhor os precipitará de cabeça para baixo, sem que digam palavra, e os arrancará de seus fundamentos. Serão completamente destruídos, estarão na dor e sua memória perecerá.»).

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