Mara na Mitologia Budista

No Budismo, Mara personifica as visões não-budistas incorretas, que foi a última coisa que o Buda precisou superar com o terceiro olho da sabedoria; em um episódio análogo ao da mitologia hindu, em que Kama tenta perturbar Shiva e ele o destrói com o fogo de seu terceiro olho. Vários relatos em vários sutras descrevem o Buda derrotando Mara. No Sutra do Esforço (Padhana Sutta) no cânone Pali, por exemplo, Mara aproximou-se de Shakyamuni enquanto ele fazia práticas ascéticas dizendo “Você está tão magro e pálido. Não busque a liberação — o que significaria afastar-se o mundo — mas fique no mundo e faça o bem”. Em outras palavras, Mara intima Shakyamuni a viver uma vida mundana, apesar de dedicada a ajudar os outros, e manda um exército para derrotá-lo. Shakyamuni especificou os exércitos de Mara da seguinte forma: desejo sensual, descontentamento, fome, sede, anseio, preguiça, medo, indecisão, inquietação, desejo pelas coisas transitórias da vida (ganhos, elogios, honra e fama) e elogiar a si próprio enquanto critica os outros. O Buda percebeu que, para superar tudo isso, ele teria que parar de identificar-se como os pensamentos sobre essas coisas.
Mais tarde, Mara apareceu como um fazendeiro pobre e como um velho brâmane bufão — simbolizando o mundo. Shakyamuni reconheceu Mara em todos os agregados que apareceram, e disse que Mara não tinha como se esconder. Shakyamuni o viu como a criatura patética que era, simbolizada pelas formas patéticas do fazendeiro e do brâmane. Mara então apareceu como desastres naturais e feras perigosas, mas Shakyamuni não tinha medo da morte. Mara mandou suas três filhas para que tentassem seduzi-lo, mas elas não tiveram sucesso. Então Mara tentou enganar Shakyamuni concordando que não havia nada a temer na morte e que portanto poderia ignorá-la. Mas, seguindo essa linha de raciocínio, ele também tentou convencer Shakyamuni de que a vida é longa e portanto ele deveria simplesmente aproveitá-la. Shakyamuni disse não, a vida é curta e devemos viver como se nosso cabelo estivesse pegando fogo. A qualquer momento a vida pode terminar, abruptamente, portanto, devemos aproveitar imediatamente a preciosidade de nossa vida humana. Assim, Mara desistiu e retirou-se.

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